Munícipes se despedem do Pe. Francesco Lollato

17/03/2020

A comunidade Rondinhense fez sua despedida ao Pe. Francesco Lollato no dia 17 de Março de 2020.

Paroquianos e amigos de todas as paróquias onde o Pe. Francisco passou vieram prestar sua última homenagem.

A celebração foi presidida pelo Arcebispo Dom Rodolfo Luis Weber e contou com a participação de um grande número de Padres e fiéis.

PADRE FRANCESCO E SUA HISTÓRIA

Francesco Lollato, filho de Vittória Remonatto e Valentino Lollato, nasceu aos 30 dias do mês de janeiro de 1926, na cidade de Travettore di Rosa, Vicenza na Itália. Juntamente com seus pais e irmãos: Jovani, Maurílio, Otorino, Rósi e Luigi, formaram uma família feliz, onde a oração, a fé e o trabalho são fundamentais. Não conheceu seus avós paternos, lembra-se que não tinham muitas condições financeiras. De seus avós Maternos, com quem moravam juntos, lembra-se da nona Margarita, que ia constantemente a Missa e sempre o levava com ela. Dos pais, guarda boas impressões, saudades e lembranças, pois queriam seu bem e sempre respeitaram suas escolhas, em especial, a vocacional, apoiando-o.

Sua cidade natal tinha aproximadamente 200 famílias e localizava-se aos pés da montanha, perto da cidade de Bassano Del Grapa. Ali viveu até os 12 anos, sendo batizado em 07 de fevereiro de 1926, fez a 1ª Eucaristia aos 08 de dezembro de 1934 e crismou-se aos 17 de janeiro de 1935, trabalhando na agricultura com a família.

Aos onze dias do mês de dezembro de 1939, foi para o Seminário de Bassano Del Grapa. Após dez anos de estudos foi ordenado sacerdote no dia 21 de março de 1953.

Após a ordenação sacerdotal, consultado pelos superiores sobre onde desejaria trabalhar, escolheu o Brasil, pois entusiasmou-se com os relatos dos que aqui já estavam trabalhando.

A partida da Itália foi dolorosa, saudosa, mas muito consciente, pois a escolha fora sua. A viagem de navio foi uma experiência muito interessante, chegou ao Brasil em 04 de setembro de 1953, desembarcando no porto de Santos e mais tarde indo para Campos Novos, SC em setembro de 1953. A paróquia era extensa em área, o povo gentil, bondoso e simples, amável e o recebeu com muito carinho. Aprendeu até dirigir carros e falar o português, pois no início rezava as missas com o auxílio do interprete, no entanto, o mais surpreendente foi conhecer os caboclos, gente boa e amável. A economia girava em torno de madeireiras de araucária. Foi ali também o primeiro susto, quando capotou o fusca, felizmente foram só danos materiais. Em Guaporé, 1954, foi coadjutor e organizou o Congresso Eucarístico na Linha oitava, com orações, procissões, louvores, etc.

Em Serafina Correa, 1955, foi um tempo de internalização, conhecendo-se e encontrando-se nas suas qualidades, principalmente seu tino administrativo, religioso e organizativo, de revelações religiosas e realizações financeiras: construção do salão paroquial, reforma do hospital, capelas, primeiras sextas-feiras do mês com mais de 1000 homens, deixando como marco a imagem do Cristo Corcovado no moro dos Milhavaca. Todas as obras foram possíveis com o bom relacionamento e o auxílio da comunidade religiosa e econômica local. Foi também o grande incentivador da emancipação do município.

Em Rondinha, 1969, chegou e foi recebido com muito entusiasmo. Aqui trabalhava o Pe Aroldo. O Bispo Dom Claúdio Colling passou-lhe a posse no salão paroquial, pois ali eram realizadas as missas, pois a Igreja estava demolida. Começou alterando a localização da casa canônica e reformando-a, iniciou e construí a Igreja Matriz em um ano, capelas como as de Linha Gramado, Santa Lúcia, São Brás, São Pedro, o Colégio Pe Luis Vigna, a biblioteca e museu Castro Alves e o lançamento da ideia do Santuário de Linha Tunas. Além do exercício de todas as demais atividades religiosas como: a vinda das Irmãs Ursulinas, as primeiras Sextas-feiras do mês com aproximadamente 1.200 homens e moços, que ficaram marcados através do Cristo Corcovado presentes na Igreja Matriz, encaminhamentos e motivações vocacionais. Todas essas idéias melhoraram a vida dos então aproximados 12.000 paroquianos, que além de aprovar as idéias, auxiliaram no trabalho local e com doações.

É importante destacar o entrosamento inteligente e cordial entre as instituições que promoveram o crescimento do município.

Nova Bassano, 1979, destaca que a partir de uma sugestão sua, o Sr. Antônio Bosso, italiano, construí um prédio para instalação da APAE. Registra-se também o Recanto São Francisco com diversos capitéis que contavam a história da Salvação. E ainda, a compra do colégio das Irmãs, onde foram realizados 26 convívios.

No bairro Vera Cruz em Passo Fundo, 1988, sentiu dificuldades, pois estava acostumado com paróquias e deparou-se com centro, Bairro Sequia e fazendas (Pontão). O primeiro ano foi difícil, angustiante, pois não sabia por onde começar. O povo auxiliou e no final, o trabalho foi recompensador, enriquecendo-o e principalmente, até conheceu os extremos: fazendeiros, pobres e ricos: cidade, fazendas e bairros.

Protásio Alves, 1993, retornou a terra de Italianos e o trabalho foi mais tranquilo, entusiasmando o povo com suas idéias, dinamismo e alegria.

Rondinha, 1995, retornou a sua terra, financeiramente a dedicação foi mais na manutenção dos bens já existentes. No campo religioso e social: nas comunidades Lambari, Gasparetto e São Francisco, as antigas escolas tornaram local de encontro para aqueles moradores. Aquisição da capela e casa para velório João Batista Scalabrini. O convívio em Guaporé com 500 participantes. A catequese familiar, casais com a ajuda das irmãs passaram a ensinar a religião aos próprios filhos. A integração entre escolas e igreja enfatizando o trabalho com os jovens que hoje resulta no grupo de jovens da cidade e o grupo juvenil em formação. Com a transferência das irmãs para o hospital Pe Eugênio, o colégio Pe Luis Vigna ficou livre e foi criado o “Nazaré casa de formação Fonte de Comunhão” A Bíblia copiada pelos paroquianos está exposta na Igreja Matriz. Além disso, campanhas vocacionais, e o grupo de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão que hoje totalizam aproximadamente 75, distribuídos em todas as comunidades. Com a Campanha da Fraternidade 2003, resgata-se a história dos idosos escrita pelos filhos e netos. “Assim nossos pais e avós nos contaram”. Como já há vários anos não temos a imigração, mas sim,

emigração, foram enviados mais de 300 envelopes contendo uma saudação e um pãozinho bento aos migrantes Rondinhenses que migraram no Brasil e fora do mesmo.

Em 2010, Rondinha acolhe novamente Padre Chico. Continua seu trabalho Missionário e empreendedor com a mesma vitalidade de sempre. No dia 27 de outubro de 2013 ocorreu a celebração de 60 anos de sacerdócio junto com a festa da padroeira da paróquia Nossa Senhora do Rosário. Atuou como Pároco até o ano de 2014 em nossa paróquia.

De janeiro 2015 a novembro de 2018: vigário paroquial da paróquia Nossa Senhora do Rosário de Rondinha

Novembro 2018 a março 2020 residiu na casa São José (casa para acolher os padres idosos), em Passo Fundo RS.

Levando uma vida, despojada de bens, misericordioso, pedra forte, bravo, pescador de gente, testemunha viva da obra de Deus e certo de que fez a escolha certa, quando resolveu doar a vida a Cristo, Padre Francisco sempre revelou estar feliz e satisfeito com tudo o que passou, sempre repetindo com alegria “Sou Filho de Deus”.

Identificado com Rondinha, Padre Francisco “carinhosamente conhecido como padre Chico”, recebe o nosso reconhecimento por sua doação ao município contribuindo para o desenvolvimento de nossa paróquia especialmente na área religiosa, cultural e social que lhe é muito grata por tudo, sendo que dos 66 anos de vida sacerdotal, destes, 27 foram dedicados especialmente a nossa comunidade. E atendendo a seu pedido de que fosse sepultado nesta terra,  nos orgulhamos, mesmo em meio a tristeza da despedida, em realizar a sua vontade.

Em resumo, foi um missionário, feliz por ser padre, e esta felicidade, era demonstrada na alegria que irradiava na paz e no otimismo que sempre passou aos paroquianos, pondo em prática seu lema: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”.(Paróquia Nossa Senhora do Rosário-Rondinha)

Fonte: DiárioRS



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